quarta-feira, 31 de agosto de 2011

para um beat que conheço


-minhas pernas
                     para Lucas Selau

Minhas pernas pararam no meio da avenida literária
No meio da concepção, no meio do texto, no meio
A morte veio atenuar o lírio mais triste daquele canteiro
E agora jazido entre outros lírios, descansa
A morte, a morte, a morte, a morte, a morte dezembro
Chegou sobre os telhados em surreais datas de solstício
E teima em voltar a forma menestrel do eu lírico
Que canta só a morte em papel de presente
Com fitas fúnebres, com cheiros fúnebres, com o ternos fúnebres
Minhas pernas paradas naquela av. Solomon
Berço ungido, onde caminhavam todos para o Beat Hotel
Ou sapateando sobre as cobertas de concreto de Apollinaire
Ah! minhas doces pernas formigantes, sob o escaldante dezembro
Como queria te descansar nas praças, ou nas camas alheias dos que passam
Com as janelas abertas, dando passagem a quem entrasse
Mas eu caminho, minhas pernas, caminho como a morte que acompanha
Logo, versos de temor, cansaço e adeus serão um só
Morte, morte, morte, morte, morte dezembro
Vai oferecida em calçadas afuniladas
Vai oferecida em outra sola gasta
Sendo, sendo, sendo morte dezembro
Uma surpresa exata, que todos esperam
E ainda sim se desesperam quando desenrolam as ataduras

Um comentário: